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Cedro Australiano: Eles Querem Comprar A Madeira!

Cedro australiano: eles querem comprar a madeira!

O mercado está em busca da madeira do cedro australiano, que ainda não tem quantidade suficiente para atender as demandas que não param de surgir. A maioria das empresas têm necessidade de grande volume de madeira serrada, e os maiores plantios ainda estão muito novos, e, portanto, não estão em ponto de corte. No caso das laminadoras, que estão localizadas no Paraná e Santa Catarina e querem comprar toras, é a distância que prejudica a negociação, pelo alto custo do frete, uma vez que as toras estão disponíveis em outros estados.

Um exemplo de interesse pelo cedro é da Rohden Portas, localizada em Santa Catarina, e que exporta milhares de portas mensalmente, e pretende usar o cedro para a decoração das peças, sendo que as lâminas serão empregadas na parte exterior do produto. Para conseguir a matéria-prima estão estudando a viabilidade de plantar as árvores e gostariam que os produtores vizinhos pudessem suprir a demanda.

“A nossa história com o cedro australiano iniciou em 2015, quando o dono da empresa solicitou à divisão florestal uma alternativa de madeira mais escura. Uma revisão bibliográfica indicou que o cedro podia ser resistente, tolerante as geadas, que é o nosso fator limitante aqui, e resolvemos fazer um experimento. Nós plantamos 1700 árvores, fizemos um delineamento experimental, estatisticamente válido, e estamos acompanhando. Identificado o melhor clone para a nossa região, temos interesse em ter plantios florestais maiores, mas o ideal seria que pequenos produtores locais fizessem consórcio com suas culturas habituais e que tivesse essa madeira no mercado também”, explica Taíse Victorazzi, engenheira florestal da Rohden Portas.

Eles usam madeira de cedro australiano

Na Líder Interiores, que tem sua base em Minas Gerais, o interesse em cedro também é grande. Especializados em móveis, o desejo é usar a madeira na produção da linha de design autoral de mobiliário, que são os produtos que carregam o conceito da marca.

“Os motivos que nos fizeram procurar o cedro estão relacionados à qualidade dele na marcenaria; é fácil de ser trabalhado, permitindo um excelente acabamento. O outro aspecto é a resistência do cedro, tem também a questão da cor, mas o principal é que estamos falando de uma madeira de reflorestamento. Unir esse aspecto do reflorestamento com a qualidade da madeira, durabilidade e eficiência na marcenaria, é muito relevante”, conta Tiago Nogueira, gerente de marketing na Líder.

Sustentabilidade é o que atraiu a atenção de Cláudio Oliveira, sócio-gerente da Mado Esquadrias e Fachadas, empresa que fabrica produtos de alto padrão, localizada no estado de São Paulo, para o cedro australiano. “Nós já trabalhamos com madeira de reflorestamento e há aproximadamente 04 anos fizemos testes com o cedro, fabricamos protótipos de janelas com excelente resultado. Nosso interesse no cedro foi exatamente nesta questão de sustentabilidade, boas características de anisotropia e aspecto (coloração e veios) que agradam os clientes”.

Eunápio Sturaro, é fundador e sócio da Parkiet Brasil, e consultor da Oca Brasil, de Salvador, onde o cedro seria empregado. “Lá temos uma linha de produtos que necessita de uma espécie adequada de madeira. Fiquei interessado no cedro australiano devido ao comprimento disponível da madeira, porque precisávamos de peças que fossem inteiras, com 2,70, 2,90 metros; além disso, para determinadas linhas a marcação de veios não é interessante, precisamos de mais homogeneidade na textura da madeira, e o cedro apresenta isso; têm também as larguras disponíveis, com o cedro a gente consegue larguras maiores que 100 milímetros; e mais, a trabalhabilidade do cedro é excelente, é uma madeira macia, de usinagem que dá bom acabamento, bom tingimento; e por último tem a questão da estabilidade dimensional. Mas tudo encaminhado a partir de ser espécie de reflorestamento, isso é fundamental para o futuro, e acho que tem um futuro muito grande para o cedro.”

“Fizemos lâmina decorativa do cedro 0,6 mm faz algum tempo, e depois não utilizamos mais. Precisamos do cedro laminado, e no Paraná só em Curitiba tem laminadora para fazer o faqueado. Ainda não tivermos condições de processar essa madeira em escala comercial, e não usamos hoje, principalmente, por motivos de logística, pois as toras teriam que andar mais de 1.000 km até a laminação. Por ser uma madeira reflorestada eu acho que é muito interessante, fica bem viável no aspecto de comercialização, extração e transporte. E a qualidade dela é semelhante ao cedro rosa, dá uma decoração bonita. O mercado tem interesse em comprar o cedro. Eu tenho interesse em processar esse material. É a madeira do futuro, ou melhor, do presente, porque hoje já tem mercado”, conclui o diretor-presidente da Integração Florestal, Integração Madeiras e Integração Agroreflorestadora, que ficam no estado do Paraná, Rafael Furio.

Usam cedro e estão satisfeitos

O arquiteto Fernando Magalhães é um dos profissionais que empregam a madeira de cedro em seus projetos. Ele traz até mesmo o diferencial de ter aplicado o cedro do desbaste. “Já utilizei o cedro em diversos projetos residenciais, na forração de telhados e em saunas tipo seca. Em um último projeto utilizei o desbaste do cedro, como teste para um forro em reforma de apartamento. Precisava de madeira leve que fosse adequada ao uso, e após a elaboração de algumas peças teste, aprovamos o seu uso. Utilizo o cedro por sua durabilidade, aparência e leveza. Pretendo utilizar o cedro sempre como revestimento interno de forração.”

“A Etel tem como pilar fundamental de sua filosofia a sustentabilidade, o uso racional de nossas madeiras e preservação de nossas florestas. Testamos em nossa produção o cedro da Bela Vista e fomos surpreendidos pela ótima qualidade”, destaca Lissa Carmona, sócia-diretora da Etel Interiores.

Na Refrisan Carrocerias, que fica no Rio de Janeiro, o cedro é utilizado para fazer o sarrafo dos pisos dos baús frigoríficos. Alessandro Ficagna, que é diretor da empresa, ressalta que usa o cedro desde 2013, e o escolheu “por causa da resistência, leveza e durabilidade”.

Otton Arruda Neto, da Luthier, de Minas Gerais, já utiliza o cedro nos instrumentos musicais que faz e está satisfeito com os resultados. “O cedro é usado pelas características sonoras, densidade e fácil usinabilidade. Por ser uma madeira de densidade média/baixa tende a enfatizar sons mais graves devido a propagação das notas em baixa frequência, no entanto, em instrumentos maciços como a guitarra no qual o uso mais comum seria com captação eletromagnética e ligados em amplificadores, a atenção se voltaria mais para questões como peso, resistência ao processo de montar e desmontar para eventuais manutenções e facilidade para se obter um bom acabamento”, exemplifica.

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